quarta-feira, outubro 22, 2008

Divagações Digitais

Todos nós, os que usaram informática desde a sua infância, se lembram de máquinas memoráveis como o ZX Spectrum, o Commodore C64, o MSX, mais tarde o Atari ST e o Commodore Amiga - muitos de nós passaram por um subconjunto das máquinas enunciadas.

Não era assunto sério; eram máquinas em que havia algum prazer no mexer, no descobrir - não haviam DRM's, não haviam licenças, não haviam vírus, não havia nada que me fizesse pensar em questões mais ou menos ideológicas contra e/ou a favor de algo. O acto de programar e de ligar coisas era só um prazer, pouco mais. As coisas eram complexas e poucos entendiam o gozo que aquilo dava. Outros, só queriam saber como pôr o belo do jogo e ligar o joystick.

Actualmente, é a confusão - fruto de uma evolução é certo - mas a informática é um jogo de dependencia, todos dependem de alguma forma, uns p'lo modelo de negócio de vender algo que não existe, outros por questões quase religiosas, outros ainda recriaram-se através do que é a internet, como subproduto da informática. Hoje um computador, embora muito complexo, vende-se como um qualquer electrodoméstico - tem que ser fácil de usar, tem que ser acessível por Todos (desculpem-me mas não suporto a coisa da arroba no "tod@s" como símbolo da igualdade de género e de oportunidades), tem que ser simples com critérios de usabilidade...

Isto é bom! Nada de mau para quem usa, e até para quem constrói aplicações. Mas as camadas de abstracção são tantas e tão complexas que é impossível conhecer efectivamente como funciona, existem tantos constrangimentos legais - tentar saber como funciona internamente software é ilegal, basta lerem a licença desse Windows aí instalado com a qual concordaram ser nunca terem lido - "protecção da propriedade intelectual", seja lá o que isso for, ou que conceito representa efectivamente; é daquelas coisas coisas do legalês que poucos se preocupam em perceber. Afinal de contas, todos copiamos o belo do filme divx do amigo, ou o cd do office porque lá está, aquilo não existe de facto portanto não há mal em copiar a cd, e ninguém vê mesmo...

Por tudo isto, a informática perdeu grande parte da magia que tinha (para mim), talvez porque cresci, talvez porque estou consciente de outros problemas associados que poucos percebem ou estão receptivos a perceber. Tornou-se uma indústria, cheia de vícios, monopolizada por meia dúzia, com demasiados "standards" fechados e, já agora, onde mandam pessoas que pouco ou nada querem perceber do conceito de partilha onde a própria Internet assenta.

Tudo isto porque hoje me lembrei do meu sétimo aniversário, quando o meu pai me levou para o quarto dele e me deu o primeiro computador...

2 comentários:

Tó-Zé disse...

Caro Amigo,

Como eu partilho dessas palavras. A malta agora só quer é a PS3, por o jogo e já tá.

Acabou-se aquela magia da descoberta, sem Internet, sem ajuda: tu e uma maquineta tinham que se entender e ponto :)

Abraço,

Anónimo disse...

Pois, de esse "todos nós" depende da idade! :P
Mas vá lá, o meu pai tinha um spectrum e e jogava a um jogo que tinha uma mota a desviar-se das árvores. ehehe