quinta-feira, dezembro 29, 2005

Sem título 2

Todos os dias tento pensar, antes de ir dormir, uma coisa: "Que raio fiz eu por mim hoje?"

Admito, que a maioria das vezes não sei responder a esta simples pergunta... Não me faz sentir infeliz, triste, ou ficar minimamente carrancudo. Só me faz sentir perdido. E eu detesto perder o controlo... Penso nos meus objectivos, se são válidos ou não... Penso demais! Penso no que devo e não devo... Revejo os objectivos que crio, e tento fazer uma análise crítica dos mesmos. E quanto mais penso, mais baralhado fico, porque não sei mesmo se estou a fazer "por mim".

Ainda no jantar que referi no último post, comentei com um dos presentes, que quero comprar um BMW M3. O que é isso? É um carro fabuloso, caro como tudo. Mais detalhes vejam um post antigo sobre o mesmo... Ok! Isto é um objectivo válido? Não sei, sinceramente! A única conclusão que posso fazer é: "Se é por mim, para mim, e para meu prazer pessoal... why the fuck not?". Mas tenho medo de não ser só por mim, de ser só para alguma necessidade de show-off, que toda a gente tem... E se for assim, é um péssimo objectivo! E não o quero ter...

Depois ponho-me a pensar, que talvez seja uma ideia sair de casa, largar os papás e etc etc etc etc etc. Mas se vou sair de casa, porque "os outros dizem que é o melhor que me podia acontecer", também é um objectivo de m*rda, porque não é isso que eu quero fazer. Se me sinto bem com eles, é estúpido sair de casa. Se eles não me atrapalham demasiado, é também estúpido sair "só porque sim, e porque todos os meus amigos vivem fora dos papás, e estão casados ou juntos ou o raio que os parta". É algo que tem que acontecer quando eu sentir que tem que acontecer. Quero lá saber que os Dinamarqueses saiam de casa aos 16 anos, ou que os Americanos saiam aos 20. Não quero saber! Sinceramente, estou-me completamente a cagar para isso!

Portanto, fico a pensar: "O que são objectivos válidos?". São os que cada um quiser de facto, pensando de uma forma mais abrangente... São os que satisfazem as nossas necessidades, por muito fúteis ou comodistas que elas possam ser.

Se calhar, e pensando bem, os meus reais objectivos (válidos... muito válidos) são três, sem nenhuma ordem de preferência:
- Amor;
- Paz interior;
- Sossego.

Tudo o que vier por acréscimo já é bom. Se comprei o estúpido carro ou não, se saí de casa ou não, se tenho um emprego "à altura das minhas capacidades" ou não, se abro uma empresa "porque mereço mais" ou "o pai quer que o filho siga as suas pisadas" ou não; não interessa de facto, se eu conseguir aqueles três objectivos. São tão simples, e ao mesmo tempo tão difíceis de alcançar...

10 comentários:

Anónimo disse...

Estou em sintonia!!

Gattaparda disse...

Esses 3 valiosos objectivos de vida permitem-te tudo.
Desejo que os alcances muito rapidamente. Do fundo do meu coração!

Squiddy - a lula disse...

Boa!
Acho que tens muito tempo para pensar e isso é bom, apesar de muitas vezes fazer mais mal do que bem...
Mas nunca pensas também no que "fizeste pelos outros"? ou no "que podes fazer pelos outros"?
Se não pensasses tanto no teu umbigo (são coisas de privilegiado, não são? - carro? casa?) talvez te pudesses sentir algo realizado se entrasses no voluntariado, se ajudasses alguém...

Tens tempo e a ausência de sossego pode dever-se a esse tempo em excesso, porque quem pensa muito poderá sentir-se realizado se depois concretizar algo, ou as ideias que teve quando pensou, ou um escreve, ou o que quer que seja, mas se só pensa... isso é desmoralizante... não é?

Desculpa não estar a ser compreensiva, já sei que não querias entrar por este caminho ou qq coisa assim, mas paz, amor e sossego não surgem automaticamente, vais ter que os encontrar e encontrar-te a ti mesmo em algo que te motive e te faça feliz.

A ideia de ajudar outros é uma opção que me lembrei, até podes detestar a ideia, mas coonhecer outros mundos, a realidade que nos circunda, poderá ser uma espécie de viagem que te irá concerteza fazer pensar numa nova perspectiva!
Talves deixasses de pensar no BMW, ou não...

E quando atigires estes objectivos o que vais querer? Mantê-los?
Se deres a mínima importância ao que se passa à tua volta, sabes que eles não dependem apenas de ti...
O ser humano quer sempre mais, se atingirmos o que queremos, morremos.

joana disse...

De facto, pensas demais!
Todos nós temos ou passamos por fases nas nossas vidas em que andamos um pouco perdidos, à deriva...é normal!...faz parte do nosso crescimento interior.

Não é fácil passar da experiência das coisas à vivência das coisas. Não é fácil pensar que apartir de determinada altura, na nossa vida, tudo o que fizermos e quisermos é a sério, é importante e é irremediável, passamos a ter responsabilidades, quando erramos temos que ter força para recomeçar. Não é fácil auto-motivarmo-nos, perseguir objectivos e concretizar alguns sonhos...mas é assim, faz parte!

Eu acho que tudo na vida tem um "timing" certo para acontecer...SÓ tens que nesse intervalo, saber gerir a tua cabeça e o teu coração, procurar dentro de ti algo que te preencha e te motive, tentar estabelecer prioridades, saber ocupar o tempo( amigos e copos não é tudo! a ideia de ajudar outros,fazer desporto, etc pode ser bom)...talvez o livro que te ofereci te dê uma ajudinha! ;)

Ricardo Ramalho disse...

Chamemos-lhes objectivos primários. Catalisadores para algo maior, para outros objectivos.

Mas se atingir esses mesmos, outros virão, e serão complemento e alimentarão a chama dos objectivos a que chamei primários.

É simples de perceber. Dei dois exemplos concretos de coisas que até me passam p'la cabeça, mas acho que perceberam a ideia de onde queria chegar. Não estava a falar só de isto ou aquilo. Estava a falar como um todo. E claro, para quem tem essa "paz interior, amor e sossego", já lá está! Não precisa de se preocupar em garantir. Só mesmo em manter... Aí criam-se mais objectivos, mais coisas! Obviamente que sei bem que os objectivos são uma coisa volátil, em constante mudança!

Mas acreditem que sem paz interior não há objectivos que nos valham... E enquanto isso não surgir, só posso mesmo pensar em mim, e só em mim.

maria disse...

Pois é...
Eu sou moralmente responsável por incutir em ti este pensamento. Não o fiz para te tirar horas de sono ou a paz de espírito mas, apenas, para chegares à conclusão de que andas mesmo perdido e o mais importante ainda não fizeste.
Ainda bem que, ao longo deste percurso, já percebeste que o M3 até nem é o mais importante.
Não me parece nada primordial que nesta fase saias de casa. Se te sentes bem, deixa-te estar.
Também ninguém pode ajudar os outros, enquanto não se conseguir ajudar, primeiro, a si próprio.

Quanto aos objectivos válidos, é claro que o amor e a paz interior são indispensáveis, bem como a saúde.
E aqui é que reside a questão. Precisas de equilibrar a tua saúde, para depois encontrares a tua paz interior e então poderes encontrar o amor.
Tudo o que vier depois disto, podes considerar uma benção.

E agora faz o que tens a fazer:

FAZ POR TI!

Um grande Xi Coração muito apertadinho
Maria

Azrael Angel disse...

...

Parafuso disse...

Pois é, pensas tu, penso eu, pensamos nós todos!
Essa pergunta já passou pela cabeça de toda a gente, nomeadamente quando sentimos perdidos, conforme tu disses, ou por vezes vazios interiormente.
Aqui a situação é contraria do «parar para pensar», pensa-se muito mas não tens certezas, parece um beco sem saída.
Podia tentar dizer-te algumas coisas, mas como os outros já referiram esse trabalho tens ser TU a fazer, encontrares-te a ti mesmo em que os objectivos referidos façam sentido...

Naquilo que poder ajudar, podes sempre contar cá com o JE, seja para a parte do desporto (bicicleta, gostas de tennis?!?), se quiseres "dar uma espreitadela" na parte do voluntariado tb posso tratar disso através da ROTA JOVEM em Cascais.

O M3, o novo emprego, se saíste de casa dos teus pais são válidos quando achares que é altura para isso, mas com Amor, Paz interior, Sossego, e acima de tudo com Auto-estima.

Joaquin Gomez aka "Vendetta" disse...

Acho que, se te disser um “Vai em frente” deves perceber o que quero dizer ;)

Quando não se conhece, o juízo pode ser errado mas, parece-me que já começas a habituar-te a isso :) Do que conheço posso dizer: “Estás no bom caminho” e se, a visão ficar turba, podes pedir-me os óculos que eu empresto ;)

CG disse...

Em relação ao M3 entendo-te como ninguem que aqui escreveu.(e conhecendo-te como te conheco nunca será esse o teu objectivo primario nele)
Em relação a sair de casa dos pais, tem tudo a ver com uma necessidade de espaço. Quando ela acontecer acontece. Sinceramente acho que muitos amigos meus que sairam de casa dos pais cedo foi porque nao souberam ou nao conseguiram cultivar uma relação saudavel com eles. Não me valorizo menos por viver com eles. E quem me valorizar menos é porque se calhar tem alguns problemas a nivel relacional. Ou de espaço.
Claro que é sempre bom ter o nosso espaço...
Tu estiveste comigo na altura em que me sentia mais perdido na vida, nao da mesma maneira que tu, e como tal só te tenho de agradecer. Nessa altura aprendi que pessoas como nós (you know what i mean) pensam de mais.
A paz interior vem de acreditares em ti e por mais egocentrico que isso te pareça agires como tal. Trata-se de resolver os teus conflitos interiores e as angustias. Se um deles é um desejo tao materialista como comprar um M3, compra-o. Podes sempre vende-lo depois e alguma coisa has-de aprender disso :D
Em relação ao amor, tens tanto para dar e tanto à tua volta que provavelmente ate o tomas por garantido nalgumas situações... mas penso que seja outra coisa que procuras... e isso vai por mim.. ha-de chegar.
Em relação ao sossego... qnd descobrires da-me umas dicas que eu já tentei de tudo.. :p

Acho que existem objectivos a curto e a longo prazo.... e aqueles com que sonhamos. Todos eles devem ter um patamar de dificuldade para atingir diferente. Se tornas os sonhos tao faceis de atingir ainda te acontece um dia acordares sem qq objectivo.. e isso deve ser muito mau.
A casa, o carro, o emprego sao validos, por mais egocentricos que te possam parecer...
E acho que já me alonguei de mais.
Abraço