quinta-feira, abril 15, 2010

Voluntários à Força

Andei uns dias a pensar nisto, desde que ouvi o Sr. Passos Coelho falar dessa ideia de que os desempregados com direito ao subsídio de desemprego teriam que "contribuir para Portugal". Gostei do termo, sonante, ainda que oco. Ou seja, trocadinho por miúdos, o que o senhor diz é qualquer coisa como trabalho para a comunidade, em troca do subsídio, ou até lhe poderemos chamar "Voluntariado à força".

Mas pronto, eu vou assumir que a ideia até é praticável de alguma forma. As pessoas que têm acesso ao subsídio de desemprego já pagaram impostos, portanto a sua contribuição para a segurança social (portanto para Portugal...) já tinha começado p'lo menos.

Agora que iriam fazer estas pessoas? "Limpar as matas!", dirão alguns velhos do Restelo que gostam muito destas ideias pouco pensadas; "Guardar os presos", dirão outros.... "Tratar dos jardins dos cemitérios", acrescento eu; ou até "Ajudar nas IPSS", que se calhar até precisariam de alguma ajuda, aceito. Mas isto tem custos, como tudo tem custos. Concerteza terão que pagar transporte e alimentação! Não irão esperar concerteza que os "voluntários à força" vão pagar do seu já magro bolso a alimentação e o transporte para o local de "voluntariado". Dessa forma, esta medida é ainda mais injusta.

E depois entra na equação a questão seguinte: esperam que um jovem licenciado em História de Arte queira ou aceite de bom grado ir limpar sanitas ou podar plantas num jardim municipal? Tudo bem que qualquer trabalho não desonra ninguém, mas seria preciso uma política de valorização das pessoas que já estão numa situação muito degradante, que é a falta de emprego.
Isto pode ainda ter consequências nefastas no aumento da marginalização de pessoas e algum aumento de criminalidade. Parece-me uma consequência lógica, porque irão haver muitos que não se irão sujeitar a tal humilhação e terão a atitude do "perdido por um, perdido por mil".

Portanto esta nova ideia de "mudar (porque é bonito usar esta palavra)" do senhor Passos Coelho foi talvez pouco pensada, e vai depender muito da forma. Porque genericamente, parece-me trazer mais problemas que soluções. Além de que me parece uma ideia particularmente demagoga...

Actualização Aqui vão uns links sobre o mesmo assunto:
  1. Câmara Corporativa - Os desempregados e os pobres merecem uma lição
  2. Jugular - Vamos lá meter os pobres na ordem
  3. Vias de facto - "Trabalho forçado" para os desempregados?

2 comentários:

Anónimo disse...

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Luisa Corte Real disse...

Esse senhor que vá plantar batatas para dar o exemplo!
Sinceramente!