segunda-feira, março 12, 2007

O diálogo

Estava agora a chegar do cinema e imaginei-me a ter um diálogo, um diálogo entre amigos que partiram. O diálogo do amigo que voltou muitos anos depois, e tenta passar naqueles sítios que foram os seus e dos seus amigos. Uma forma de recordar? Uma forma de reaver? Não sei... Mas o que imaginei era a pessoa a tentar fazer o mesmo caminho sete anos depois de partir, tentar ver se um bar, um café, uma esplanada que fora em tempos ponto de encontro ainda o seria, mantendo um nervoso miudinho sempre que chegava a cada um dos locais...

E cada um dos locais estava diferente, muitos deixaram de existir, os nomes mudaram, e até os costumes! A cada visita procurava-se uma antiga referencia, como uma ancora que pára um navio perto de uma ilha sem porto.

Finalmente encontrou um bar em que tudo parecia na mesma! Aliás, quando lá entrou p'la primeira vez, como teenager inconsciente, já esse bar tinha ar de que era assim há muitos anos... Só isso já o fez sentir-se em casa, de alguma forma. O homem do bar, uns tantos anos mais velho, era o mesmo. Mas não o reconheceram! Era natural, o aspecto era diferente... Muito diferente... Os hábitos mudaram!

Mas, faltavam as pessoas! Havia o bar mas não as pessoas...
(continua...)

7 comentários:

Anónimo disse...

Por acaso nao estas a falar do bom do BH, nao?
Passei por la' na semana passada... :)

Ricardo Ramalho disse...

Sim, passei lá à porta e serviu-me de inspiração.

Perspicaz ein? ;)

Anónimo disse...

do bom do BH ?!?!
O que tem de bom foi ter visto lá o meu FCP a ganhar a liga dos Campeões enquanto o dono do bar ficou todo fodido!! hehehe
Benfas com dores de cotovelo!!

Anónimo disse...

Em Roma, uma semana após a partida de todos (ou quase todos) os estudantes Erasmus e "não-romanos" desse ano, a cidade transformou-se. Não foi necessário um ano ou um mês sequer... as pessoas foram-se embora e a cidade ficou "deserta" (mas sempre cheia, claro!).
Tudo era diferente então.
Os mesmos bares encerraram também, porque era verão...
Foi estranho... ninguém envelheceu, simplesmente desapareceram todos!

Foram para locais onde se sentem em casa. E a casa que deixaram deixou de o ser...

Anónimo disse...

... que estavamos habituados a ver naquele Bar, agora eram outras pessoas diferentes das "personagens" que viamos e conviviamos largos minutos ao sabor de uma ou mais cervejas.

Aquele Bar tinha uma particularidade única, ou espero ainda ter que é o ponto de encontro, durante a noite de pessoas de diversos estatutos sociais, clubísticos, e das mais diferenças que possam imaginar... no entanto havia uma harmonia e felicidade entre todos durante a pequena estadia naquele bar. O tempo passava ao longo das conversas que nem nos apercebiamos dos minutos, ou das horas passadas.

O serviço prestado deixava a desejar, mas dava para rir com as trapalhadas e esquecimentos do empregado, e a demora era tanta que já nem reparavamos a 2ª vez que iamos lá!

Enfim, o BH tinha e tem o seu encanto único, que é indiscrivel...

Anónimo disse...

* indiscritível

Anónimo disse...

As pessoas fazem os espaços, os sitíos, os locais... sem "aquelas" pessoas esses espaços únicos para nós, deixam de ser os mesmos...