domingo, novembro 05, 2006

Blue Monday

Há a sensação de não saber o que dizer quando o quero dizer... Está cá dentro, mas não sai! Está cá dentro, sei perfeitamente o que quero dizer... Não sai, não sai, simplesmente não sai. É a voz de raiva, um grito que parece gigante e nem uma simples formiga incomoda. O restante mundo olha, e no momento seguinte simplesmente olha em frente, tal qual qualquer autista fechado no seu mundinho...

Portanto, gritar? Para quê? Ninguém ouve mesmo! Mais vale esquecer isso de gritar. Imaginem uma formiga, ela sente-se mal? Até pode sentir, mas será que ela grita?... Não me parece! Mas quando por vezes gritamos de revolta, raiva, tristeza... e felicidade (porque não?), nada nos ouve. Imaginem-se no meio do Rossio aos gritos, a gritar com o vosso maior ódio; alguém iria olhar para vocês? Poupem-se à resposta! Ninguém iria olhar, com olhos de ver. Claro que olhar e encolher os ombros, isso seriam todos quantos ouvissem. Mas quem clama por revolta, quem grita de ódio, raiva, amor quer ser realmente ouvido.

E isto chama a questão para o ouvir. Ouvir pode ser o ouvir normal, da vibração que o som provoca no tímpano e que posteriormente o cérebro interpreta como um som. Mas o que a mente faz com o som, se o interpreta realmente é que é importante. Ao "ver" aplica-se o mesmo princípio...

Bah... esqueçam!

I see a ship in the harbor
I can and shall obey
but if it wasn't for your misfortunes
I'd be a heavenly person today
and I thought I was mistaken
and I thought I heard you speak
tell me how do I feel
tell me now, how should I feel
now I stand here waiting...

I thought I told you to leave me
while I walked down to the beach
tell me how does it feel
when your heart grows cold

3 comentários:

Anónimo disse...

Acredita que há pessoas capazes de OUVIR se gritares e ainda melhor, são capazes de ESCUTAR desde que tu queiras que isso aconteça ;)

Abraço

Parafuso disse...

Grita à vontade, tens direito a esse sentimento e vais encontrar alguém que te escute de certeza. Não desista e continua a GRITAR.

Jú disse...

Há alturas em que é bom gritar, nem que seja para nós... mas esse grito tem que ter dentro dele algo de mudança, senão apenas alivia, mais nada! Fazer de algumas situações um GRANDE problema só nos deixa ainda mais autistas e incapazes de enfrentar os reais e verdadeiros problemas que possam surgir na nossa vida! A maturidade também é isso, a capacidade de relativizar problemas e de os resolver...Quando isso acontece é mais fácil tudo o resto, acredita!