quinta-feira, julho 21, 2005

Expectativas

Quando fiz 18 anos, a primeira coisa que queria fazer era tirar a carta de condução! Que loucura! Iria poder, finalmente, movimentar-me e ir onde queria sem estar dependente da porcaria do comboio/autocarro/taxi. Chegar depois das 3 da manhã a casa, sem ser obrigado a esperar p'la porcaria do comboio das 6... Enfim, um pouco mais de liberdade de movimentos!

Lá tirei a carta, e estava à espera de carro! Claro... Foi "logo a seguir"! O meu velhote quis que treinasse ao lado dele, porque "os gajos da escola de condução não ensinavam nada de jeito". De facto, o tempo veio dar-lhe alguma razão. O nível de preparação que temos é violentamente mau, e não acredito que tal tenha melhorado substancialmente em dez anos... Aprendi bastante no antigo Alfa Romeo 33 e nas palhaçadas com o meu pai. Ainda demorou muito tempo até ele me dar os documentos para a mão e dizer "vai lá". Depois disso, claro, eu queria um carro! Obviamente! Não tinha onde cair morto nem moedas minhas para mandar cantar um cego, mas queria um carro!! Óbvio! E claro que não queria um carro qualquer! Devia achar que era menino fino... Lá porque via outros putos betos e queques da linha com "brutas máquinas", achava que também era merecedor de tal "honra". Era a altura dos VW Polo 16V, dos Punto GT, dos Saxo Cup, dos 106 GTi e outros tais. E claro, queria era coisa que "andasse"!!!

Quem me conhecia na altura, sabe que nessa altura era terrivelmente viciado em automóveis! Parecia uma enciclopédia humana de automóveis. Acho que sabia tudo o que havia pra saber... Ou não... Mas julgava que sabia! E quem me conhecia também sabia o quanto era viciado num carrito: o Fiat Punto GT. Era o meu carro de sonho! Era aquele carro que eu cortejava, que queria naquela altura, que me dava pica só de ver. Só o conduzi uns anos mais tarde... Os manómetros brancos, as luzes vermelhas nas letras dos manómetros, o volante em pele, sei lá... tanto pormenor da treta que eu venerava aquilo!! Era mesmo viciado! Melguei o meu pai até à exaustão, mas ele nunca foi na conversa. Comprou um Fiat Punto... Mas foi um 75... E disse-me: "o gajo do stand disse-me que aquele carro é um perigo para putos da tua idade". De facto... Hoje tenho mesmo que lhe dar razão.

Tanto li sobre aquele carro! Ainda hoje tenho as páginas das revistas, digitalizadas, com os testes ao carro e tal. Que raio de expectativa! Quando andei a primeira vez e seguintes à pendura, fiquei ainda mais maluco.

Mas quando o conduzi... Houve aquela sensação de "é só isto?"... Horrível! Mais valia nunca ter conduzido. A expectativa, quando exagerada, estraga tudo! Algo só nos pode impressionar se não esperarmos nada desse algo. E não aconteceu isso ali. Algo perdeu o encanto, aquele encanto de quando eu tinha 18 anos e achava aquilo o máximo. Até deveria ser, se eu não esperasse tanto da máquina. Mas esperei! Já tinha 25 ou 26 anos quando o conduzi, e já tinha experiencia com máquinas com alguma potencia mais... Incluindo um carro que entretanto comprara. Por isso, neste caso, como em tantos outros em que as expectativas são muito elevadas, o encanto vai-se porque a sensação é banal. Comum...

Mas isso não quer dizer que não venha, um dia, a comprar um just for the fun of it!

Entendam este post de uma forma mais metafórica, e não de uma forma estrita e linear... É pela mensagem, não p'lo conteúdo, que é algo banal. ;)

8 comentários:

Migs disse...

A isso chama-se gestão de espectativas.

Anónimo disse...

Por vezes a Ansiedade e Frustação vem logo a seguir uma a outra.
Enfim por mesmo que alguém não admita, aprende-se algo com uma experiência menos positiva, diria banal.

O bicho Homem é um animal insaciável com as coisas materiais, e porquê será?!?...

Anónimo disse...

Com as pessoas é mais ou menos a mesma coisa: às vezes criamos espectativas em relação a alguém e depois quando conhecemos um pouco mais essa pessoa vimos que afinal o conteúdo não corresponde à ideia que tínhamos dela....é uma desilusão e muitas vezes, quando gostamos muito dessa pessoa, custa a acreditar...acho mesmo que, durante um tempo, ainda podemos pensar que estamos errados e que há uma esperança de não ser bem assim...;)

Anónimo disse...

Ninguém é perfeito (costumo dizer que "nem o Pai Natal é perfeito"), todos nós temos aspectos positivos e negativos, e vejo as coisas desta maneira: Quando começamos a conhecer melhor as pessoas, notamos que elas também tem defeitos, e porquê é que notamos mais esse lado?... Porque as expectativas que criamos na nossa cabeça são enormes, e depois vem a desilusão!
Nomeadamente devemos primar pelas virtudes... mas cabe as pessoas terem tolerância, «modelar», respeitar as outras pessoas de modo haver uma combinação platónica entre elas.
Devemos ter a capacidade de optimizar. Optimizar é tirar o melhor partido possível de tudo o que acontece, mesmo de uma catástrofe. Perante ela, quem sabe optimizar põe-se numa atitude positiva, anima os outros e reage bem. Mais vale optimizar que ser optimista.

Anónimo disse...

O meu primeiro carro (tive so 2 e velhos!) foi um fiat 127! E como foi bom! Neste momento nãao tenho carro, pois tive de saber gerir as expectativas pra os sonhos não se atropelarem e me deixarem até fora do "passe social". Lido bastante bem com isso. Quando voltar a ter um, k seja qq coisa com rodas e volante (tb dá jeito um motor!)

Elias Monteiro disse...

"Algo só nos pode impressionar se não esperarmos nada desse algo"

Disseste tudo nesta frase.
Abraço

Anónimo disse...

sorry...expectativas*(comment de ontem)

AzraelAngel disse...

punto gt?!

:\